Quando Tudo Volta – John Corey Whaley:
Editora: Novo Conceito
Número de páginas: 220
Classificação: 2/5

Resenha:
Quando a Novo Conceito divulgou o lançamento desse livro, eu não me interessei. A capa é bonitinha, mas a sinopse não me interessou nem um pouco. Mas aí li a resenha da Mari do blog S2 Ler e fiquei curiosa. Sim, ela não gostou do livro, mas fiquei curiosa para saber como o livro poderia envolver tantos assuntos nada a ver, e como o autor poderia tentar juntar isso tudo. Por isso resolvi ler. E também porque recebemos o livro de cortesia da Novo Conceito, então o livro já estava aqui mesmo.

O livro conta duas histórias diferentes, alternando a cada capítulo. Uma delas é a de Cullen Witter, um garoto de dezessete anos que vive entediado na pequena cidade de Lily, Arkansas. E a outra é a de Benton Sage, um garoto de dezoito anos que tenta, a todo custo, fazer com que o pai, um homem muito religioso, se orgulhe dele. Até praticamente o final do livro, eu senti como se o autor estivesse escrevendo duas histórias totalmente diferentes em um livro só, porque uma não tem nada a ver com a outra. Só lá para o final do livro é que o autor cria a conexão. E isso me fez sentir vontade de ir pulando os capítulos e ler uma história de cada vez, porque, cada vez que uma história começava a ficar interessante, terminava o capítulo.

Cullen é um garoto comum, que sonha em sair daquela cidade e ir viver sua vida. Em Lily tudo é sempre igual, nada de novo acontece. Ele passa seu tempo com Lucas Cader, seu melhor amigo, Mena Prescott, a namorada de Lucas, e Gabriel Witter, seu irmão mais novo. Trabalha nos finais de semana em uma lanchonete, e é apaixonado pela garota mais linda da escola, Ada Taylor. Que, obviamente, namora o cara mais idiota da escola.

As coisas deixam de ser entediantes quando um cara de fora da cidade alega ter visto um pica-pau de Lázaro, um pássaro que todos acreditavam estar extinto há quase 60 anos, bem ali nos arredores da cidade. E logo todos só falam a respeito do pica-pau gigante, a cidade inteira está em função de encontrá-lo. E não só a cidade, pessoas de todos os lugares andam enchendo a cidade de Lily, atrás do pássaro. E é no meio dessa bagunça que Gabriel desaparece completamente.

Cullen tenta seguir em frente, continuar com sua vida, mas não consegue se acostumar a não ter o irmão por perto. Sua família está mais unida que nunca, e seus pais tentam continuar vivendo normalmente, mas também não conseguem superar o vazio que a falta do filho mais novo traz. Seu melhor amigo está sempre lá, tentando animá-lo, tentando fazer com que Cullen se distraia, ao mesmo tempo em que ele mesmo não desiste de procurar por Gabriel.

No outro lado da história temos Benton Sage, um garoto que só quer que o pai se orgulhe dele. Mas, não importa o que ele faça, o quanto se esforce, o pai só sabe reclamar (me lembrou o pai da Sydney, de Bloodlines, tanto pelo sobrenome quanto pela personalidade). Mas Benton não é o protagonista desse lado da história. O protagonista é Cabot Searcy, o colega de quarto de Benton na faculdade. Benton acaba por, não intencionalmente, transformar seu amigo em algo pior que seu pai. Cabot se torna um fanático, e ele sai em uma desesperada busca pela verdade religiosa.

E assim o livro passa, intercalando entre a vida de Cullen e de sua família e amigos, enquanto estão devastados pelo sumiço de Gabriel, tentando não perder as esperanças de encontrá-lo vivo, ao mesmo tempo em que a cidade só pensa no pica-pau, e a vida que Cabot leva enquanto tenta encontrar as respostas que tanto busca.

Sobre a história, eu tive a sensação que o autor tentou jogar tanto coisa dentro de um livro só, que ele mesmo se perdeu, não deu conta de tudo o que queria fazer. Porque além dessas duas histórias principais, ainda temos os zumbis com quem Cullen vive sonhando, e temos o pássaro, que entrou na história e saiu sem acrescentar nada além de raiva ao personagem e aos leitores. Acredito que se o autor tivesse escolhido apenas uma dessas histórias, ou no máximo duas delas, teria se saído bem melhor.

Quando Tudo Volta não é um livro ruim, mas também não é um livro bom. Eu terminei o livro sem entender qual foi o sentido do livro, qual foi a intenção do autor em escrever um livro desses. Não me acrescentou em nada. Mas narrativa do autor é bem boa e rápida de ler, você não cansa e o livro pode ser lido de uma vez só sem problemas. Indico acho que para pessoas que gostam de livros bem viajados mesmo, que não fazem muito sentido, sei lá.


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