Fênix: A Ilha – John Dixon:
Série: Fênix #1
Editora: Novo Conceito
Número de páginas: 336
Classificação: 4/5

Resenha:
Ao ler a sinopse, não tinha me interessado. O livro não parecia ruim, mas nada tinha me chamado a atenção. Não tinha nenhuma expectativa sobre o livro nem nada. Mas aí vi alguém comentando que o livro deu origem a série de televisão Intelligence (sim, está escrito na capa, mas eu realmente nunca tinha percebido), uma série que eu amei e que obviamente já foi cancelada :/. Assim, de uma hora para a outra, minha vontade de ler esse livro cresceu bastante. Fui ler com muitas expectativas.

Carl Freeman é um garoto órfão de dezesseis anos que já passou por milhões de lares adotivos, mas nunca consegue ficar em um. Não que ele seja má pessoa, mas ele não aguenta ver injustiça. Ele odeia valentões. E ele não consegue assistir os valentões batendo ou incomodando outras pessoas. Não importa quem seja, se ele conheça a vítima ou não, ele sempre vai acabar se metendo no meio. E, por todo o seu treino no boxe, ele pode muito bem acabar com um grupo de valentões. Mas, depois de um longo histórico de brigas, sempre pelo mesmo motivo, o juiz dá a ele uma última chance: ir para o campo de treinamento Fênix, um acampamento militar, onde ele ficará até completar 18 anos e, depois disso, terá sua ficha limpa.

Só que esse campo de treinamento não é convencional. Ele fica em uma ilha fora dos Estados Unidos, sem acesso ao mundo exterior, e só aceita órfãos. E logo Carl vai perceber o porquê disso: lá não é os Estados Unidos. Eles possuem regras próprias, eles podem fazer o que quiserem com eles. E, como são órfãos, ninguém vai sentir falta deles.

“Estamos mortos para o mundo tanto quanto nossos pais, pensou Carl. Essa gente pode fazer o que quiser conosco.”

Mas Carl está decidido a aproveitar essa chance que o juiz deu a ele. Ele vai se comportar, vai aguentar os dois anos que faltam para ele completar 18 anos, e vai sair de lá, vai ter uma vida. Tudo o que ele tem a fazer é não se meter em problemas. Mas é mais fácil falar do que fazer. Principalmente quando o sargento instrutor resolve implicar com ele, logo no primeiro dia. Ou quando outros órfãos começam a provocar um garoto mais fraco. Ou quando ele começa a descobrir coisas a respeito da ilha. Coisas que ninguém acreditaria serem possíveis. Mas eles estão lá, e ninguém sabe onde esse lá é. Ninguém sabe onde estão. Ninguém vai sentir falta deles. E pode ser que eles nunca saiam de lá.

Ele vai contar com a ajuda de seus novos amigos, Ross, um garoto pequeno e magro, que usa as piadas como meio de sobrevivência, e Octavia, uma garota determinada, e que luta para ser forte que nem Carl. Juntos, ou separados, eles vão procurar saber a verdade a respeito da ilha, os segredos que ela esconde, e, principalmente, uma forma de sobreviver a ela. Mas o que eles vão descobrir vai ser mais do que qualquer coisa que eles poderiam imaginar. E, além de tudo, eles ainda terão que sobreviver ao sargento instrutor Parker, que não vai desistir enquanto não acabar de vez com Carl. E sim, acabar de vez significa exatamente isso.

Vi bastante gente reclamando das descrições, dizendo que o autor não precisava ter narrado tão explicitamente as torturas, mas até que eu não me incomodei tanto. Sim, não foi nada legal de ler, mas acho que deu um toque de realidade a mais ao livro. Só achei que ele não precisava ter narrado tanto isso, acabou ficando cansativo. Aquelas partes não acabavam nunca. Ele narrou muito as lutas, e bom, eu não me interesso por boxe, então não foi tão interessante para mim. Sim, mostrou que ele sabia do que estava falando acho, mas para mim não foi tão legal assim.

Ele também não guardou surpresas. Eu lia e lia e cada vez me surpreendia mais com as cosias que o autor fazia. Personagens importantes morrendo, personagens bonzinhos não sendo bonzinhos, personagens malvados virando bonzinhos, personagens extremamente cruéis, personagens que você gostava e que não acreditava que fossem mesmo daquele jeito, enfim, uma surpresa atrás da outra. Isso sem contar a história. O autor conseguiu juntar tanta coisa, e ainda assim fazer um livro simples de se entender, e com uma história incrível.

Sobre a parte de ter inspirado a série Intelligence, até quase a metade do livro não estava entendendo o que tinha a ver, parecia uma coisa completamente diferente. O que me fez desanimar muito com o livro. Não porque fosse ruim, mas porque eu queria a história da série (não me conformo dela ter sido cancelada, era tão boa). Então, quando finalmente me conformei que era uma outra história, comecei a aproveitar melhor o livro. E gostei. Ainda não entendi muito bem o que foi que inspirou a série, tem uma parte em comum, mas o resto não tem nada a ver, então não sei.

Sobre a edição da Novo Conceito, está ótima. A capa não é bonita, na minha opinião, mas condiz com a história. A diagramação está linda. Em cada início de capítulo, temos um desenho de uma árvore, e nas outras páginas temos galhos de árvores no canto da página. O conjunto ficou bem bonito. Não notei erros além dos normais. Fênix: A Ilha faz parte de uma série, e dá para perceber bem isso. Ele é somente o primeiro livro, e tem um potencial enorme, tem ainda toda uma história a ser contada. Recomendo bastante.

Série:
1. A Ilha
2. Devil's Pocket.


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