O Retrato – Charlie Lovett:
Editora: Novo Conceito
Número de páginas: 416
Classificação: 4/5

Resenha:
Quando li a sinopse, me interessei porque me lembrou o estilo dos livros da Lucinda Riley. Ou seja, fiquei já morrendo de vontade de ler. Demorei um pouco porque o livro é maiorzinho, e é ruim de carregar na bolsa, então tive que ler em casa. Mas, apesar de o livro ser grande, li ele todo de uma vez, e nem percebi o tempo passar. Gostei bastante.

O Retrato narra a história de Peter Byerly, um homem que, desde criança, nunca soube se relacionar com as pessoas. Passou a vida escondido, evitando o contato humano. Na faculdade encontrou uma ótima maneira: os livros. Ele amava estar entre os livros, e não somente porque eles lhes proporcionavam uma ótima desculpa para se afastar dos outros, mas também por conta dos livros mesmo, ele se interessava. E foi graças ao seu trabalho na biblioteca da faculdade que ele conheceu Amanda, o amor de sua vida.

Amanda foi a primeira pessoa por quem ele sentiu realmente vontade de estar perto, de conviver com ela. E foi a primeira pessoa com quem ele conseguiu ser “normal”. Com ela, ele conseguia tudo. Ele até conversava com outras pessoas. Amanda era tudo para ele. Mas ela não era sua única paixão. Na mesma época em que conheceu Amanda, ele conheceu a sessão de livros raros da biblioteca. E lá descobriu sua outra paixão. Seu sonho era encontrar uma edição desconhecida de algum livro ou autor importante, e trazer uma grande descoberta para o mundo.

Então ele se dedicou a sua vida à Amanda, sua esposa, e aos livros raros. E estava feliz assim. Até que Amanda morre subitamente, e ele perde o rumo de sua vida. Não encontra mais sentido em fazer nada do que fazia antes, nada tem graça sem ela. Com isso, ele se muda dos Estados Unidos para a Inglaterra, longe de seus amigos e conhecidos. Ele se isola completamente no chalé que ele e Amanda estavam terminando de reformar para morar lá.

Mas ele sabe que não deve ficar assim para sempre, ele tem que encontrar algum objetivo em sua vida. Então ele se volta à sua segunda paixão: a busca de livros raros. E é dentro de um desses livros que ele encontra uma pintura de uma mulher extremamente parecida com sua falecida esposa, e fica curioso, pois a pintura é muito antiga. Ele então resolve investigar e descobrir quem é essa mulher. Só que não há assinatura do artista, somente iniciais, que não o levam a nada.

Mas ele não vai desistir, e essa busca vai acabar o levando em direção a uma obra perdida de William Shakespeare. Uma obra que, se for original, pode revolucionar o mundo. É tudo o que ele sempre quis: fazer uma descoberta importante, e deixar sua marca no mundo. Mas as coisas não são tão simples assim, e ele logo vai se ver em meio a uma corrida contra o tempo para descobrir a verdade. Tanto quanto à obra de Shakespeare, quanto à pintura. E a verdade pode ser perigosa.

Apesar de ter adorado o livro e tudo mais, tenho que dizer que no começo fiquei bem perdida com a quantidade de informações que o autor traz. Temos a história de Peter na Inglaterra tentando seguir sua vida, temos também meio que um flashback mostrando a época em que ele conheceu Amanda, e temos também uma parte que narra histórias de dramaturgos e vendedores de livros raros em 1800, e que origina o mistério do livro e da aquarela. Sim, tudo se encaixa, mas não de início. Fiquei bem perdida nessa última parte, temos tantos personagens diferentes, com nomes parecidos, que terminei o livro ainda sem conseguir distinguir bem todos eles. Foi um ponto negativo que encontrei, mas acho que não atrapalhou muito a história, porque aos poucos a história vai se encaixando com a do presente e acabamos entendendo mais a história do passado.

O livro tem um pouco do estilo policial, acredito, pois vamos entrando nessa investigação junto com Peter, e vamos fazendo descobertas, ficando angustiados, preocupados, desconfiados, torcendo pelos personagens, tudo ao mesmo tempo. Apesar de não estarmos procurando o assassino típico de livros policiais, uma pessoa, estamos meio que tentando desvendar um crime, um mistério histórico, e que pode ter repercussões até nos dias atuais.

Achei a história ótima, fiquei bastante interessada a respeito do assunto abordado, tanto os livros raros, quanto a história desses autores, pintores e tudo mais. O livro tem que ser lido com calma, prestando atenção, senão você realmente se perde no meio do monte de personagens, mas vale a pena. A edição da Novo Conceito está ótima, a capa é simples, mas bonita, e acredito que representa bem a história. A diagramação também é simples, mas é boa de ler, e não notei erros. Recomendo bastante esse livro.


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