A Garota do Penhasco – Lucinda Riley:
Editora: Novo Conceito
Número de páginas: 528
Classificação: 4/5

Resenha:
A Garota do Penhasco me chamou a atenção logo que eu descobri a existência dele, afinal, é um livro da Lucinda Riley. A capa é super bonitinha, e pela sinopse o livro parecia ser lindo. Ou seja, expectativas lá no alto. O livro não foi ruim, mas ele não conseguiu me prender, levei uma semana para conseguir terminar de ler. A história é boa sim, mas eu esperava mais.

Grania Ryan é uma escultora que viu seu mundo desmoronar após perder seu bebê e descobrir algo sobre Matt, seu namorado. Ela partiu dos Estados Unidos sem mais explicações, e foi para a casa dos pais, na Irlanda. Sua mãe não entende o que aconteceu entre ela e Matt, mas ela não quer explicar. Ela só quer um pouco de tranquilidade para decidir o que vai fazer do resto de sua vida.

E é em uma de suas caminhadas que ela encontra uma garotinha no penhasco, quase parecendo um fantasma. Uma linda garotinha que parece estar hipnotizada, parada lá na beira do penhasco. Ela sente um medo enorme pelo que poderia acontecer com essa garota, parecendo tão frágil, e é nesse momento que Aurora Devonshire entra na vida de Grania e a muda para sempre.

Aurora é uma criança adorável, que encanta Grania com sua maneira espontânea, alegre e madura de viver. Apesar de ser extremamente solitária, Aurora não reclama, e sabe que o pai faz o melhor que pode para cuidar dela depois que a mãe morreu. A ligação entre Grania e Aurora acontece imediatamente ao se conhecerem, e uma vai encontrar na outra a família que procurava.

Mas a aproximação das duas vai preocupar Kathleen, mãe de Grania. Acontece que as famílias Ryan e Lisle não possuem um passado muito feliz, parece que sempre terá um Lisle precisando de um Ryan, e as coisas nunca acabam bem. E ela terá que remexer em um passado doloroso para contar essa história a Grania, e fazê-la entender o porquê de se sentir tão mal ao ver essa aproximação dela com Aurora, afinal, a mãe de Aurora era uma Lisle.

Kathleen irá nos trazer a história de Mary, uma jovem órfã empregada da casa dos Lisle na época da guerra, e Anna, a garotinha a quem Mary irá aprender a amar e irá fazer de tudo para mantê-la a salvo. Uma história bem parecida com a que está acontecendo agora com Grania e Aurora, mas que pode tanto ter um final feliz, bem diferente daquele que aconteceu no passado, quanto pode ser uma réplica daquela triste história que aconteceu tantos anos antes, cabe somente a elas traçarem sua história.

Aurora é uma garotinha adorável, ela é forte, determinada, persistente, corajosa, esperta, madura, e vai fazer de tudo para que as pessoas que ela se importa sejam felizes. Grania é uma mulher orgulhosa demais, o que a causa muitos problemas. Mas ela também é uma mulher que possui um coração do tamanho do mundo, e passa por um crescimento imenso durante o livro, aprendendo mais sobre si mesma, sobre o que é realmente importante. Os outros personagens são todos muito bem construídos, todos possuem uma história, um motivo para existirem.

O livro é narrado em alguns momentos em primeira pessoa na visão da Aurora, já mais velha, e em outros momentos em terceira pessoa, nos mostrando o lado da Grania, do Matt, e a história de Mary, tudo o que ela enfrentou no passado. Achei a parte que mostrava sobre a vida do Matt chata, ficou meio fora de lugar, só para sabermos o que acontecia com ele, mas não fazia parte da história em si. Para mim ficou meio sem sentido.

A Lucinda tentou inovar na escrita dela, misturar estilos, e não me agradou muito. Ela fez o livro como se a Aurora estivesse narrando, então tinham partes dela “conversando” com o leitor, resumindo a história, e horas onde tínhamos a narrativa em terceira pessoa contando as histórias em si. Para mim, não combinou. Eu achei a parte da Aurora meio chata, ficava agoniada querendo pular aquelas partes. Ainda bem que não eram muitas. Não acho que a Lucinda fez um bom arranjo colocando ela dessa forma, nos outros livros ela conseguiu encaixar as duas histórias perfeitamente sem precisar disso.

E, a não ser que eu tenha entendido o livro super errado, uma parte da sinopse está errada. Nela fala que acontecerá um romance entre a Grania e o Lawrence Lisle, só que eles nem chegam a se conhecer, eles são de épocas diferentes. Eu fiquei o livro todo esperando um outro Lawrence Lisle aparecer na história. Não entendi isso, acho que foi um erro de tradução.

No mais, eu gostei do livro. Sim, ele não me prendeu totalmente, eu demorei para ler, mas foi um bom livro. Não melhor que A Casa das Orquídeas, meu favorito para sempre, mas um bom livro. Te emociona, te deixa pensando depois na história, te faz torcer por alguns personagens, xingar outros. A edição da Novo Conceito, tirando esse erro da sinopse, está boa. O livro possui alguns erros de digitação sim, mas são coisas fáceis de ignorar, nada que atrapalhe o entendimento do livro. A capa e a diagramação são ótimas. Recomendo o livro para as pessoas que gostam desse estilo de livro, mas vão com um pouco menos de expectativas, é sempre melhor se surpreender do que se decepcionar.


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